Ela ainda tinha alma de menina. Sempre tão durona por fora, meiga por dentro. Sempre muito quieta nas aulas, todos a achavam muito inteligente. Sempre a viam com uma expressão fechada no rosto, raros eram os sorrisos que mostravam suas leves covinhas. Andava sozinha nos intervalos de aula, nunca tentava se aproximar das pessoas, ou quando tentavam ela mesmo se afastava. Falava com algumas pessoas, por a educação que lhe restava. Ela era considerada estranha. Ela era estranha. Parecia não se importar muito com a sua aparência. Era grossa, chata, ignorante. Mas a vida lhe forçou a ser assim. Não muito doce, as pessoas se aproveitam de pessoas assim. Forçou-lhe a ignorar novas ”amizades”. Ela sofria, de uma certa forma. Acabava descontando nas pessoas ao seu redor, toda sua raiva, ódio e tristeza. [...] – 0-invisible.